CONCEBER E FAZER EVOLUIR OS DISPOSITIVOS DE DIFERENCIAÇÃO  escrito em quarta 28 novembro 2007 16:02

            Para que o aluno possa crescer em conhecimento, é preciso que o professor crie situação de aprendizagem ótima para ele. Deve propor atividades que façam parte do cotidiano do aluno, levando sempre em conta o conhecimento prévio do aluno.

Mas a grande dificuldade encontrada pelo professor sempre é a diversidade. Como desenvolver atividades assim em salas de 20 ou 30 alunos? Nem todos dentro de uma sala de aula têm o mesmo nível de desenvolvimento, os mesmos conhecimentos prévios, a mesma relação com o saber, os mesmos recursos e maneiras de aprender.

Cada aluno é único, tem características individuais, mas todos os alunos têm capacidade de aprender, esse é o desafio do professor, envolver os alunos, provocar situações que faça o aluno “pensar sobre” e para isso o professor não precisa ocupar-se com cada aluno individualmente.

  • Não basta mostrar-se totalmente disponível para um aluno: é preciso também compreender o motivo de suas dificuldades de aprendizagem e saber como superá-las. Todos professores que tiveram a experiência do apoio pedagógico, ou que deram aulas particulares sabem a que ponto pode-se ficar despreparado em uma situação de atendimento individual, ainda que, aparentemente, ela seja ideal.
  • Certas aprendizagens só ocorrem graças a interações sociais, seja porque se visa ao desenvolvimento de competências de comunicação ou de coordenação, seja porque a interação é indispensável para provocar aprendizagens que passem por conflitos cognitivos ou por formas de cooperação.

O professor deve utilizar todos os recursos disponíveis e apostar em todos os recursos disponíveis e apostar em todos os parâmetros para “organizar as interações e as atividades de modo que cada aprendiz vivencie sempre que possível, situações fecundas de aprendizagem”.

Existem quatro competências necessárias que se destacam nesse processo:

  • Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma.
  • Abrir, ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto.
  • Fornecer apoio integrado, trabalhar com alunos portadores de dificuldades.
  • Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mútuo.
 

ADMINISTRAR A HETEROGENEIDADE NO ÂMBITO DE UMA TURMA.

 

            O sistema escolar tem buscado homogeneizar cada turma agrupando os alunos da mesma idade, mas é preciso lembrar que mesmo alunos da mesma idade apresentam diferentes níveis de desenvolvimento. Por isso o professor deve saber que a homogeneidade é inacessível por causa das reprovações que aconteçam freqüentemente.

O importante, em uma pedagogia diferenciada, é criar dispositivos múltiplos, não baseando tudo na intervenção do professor. O trabalho por plano semanal, a atribuição de tarefas autocorretivas e o emprego de softwares interativos são recursos preciosos. Organizar o espaço em oficinas ou em “cantos” — entre os quais os alunos circulam — é uma outra maneira de enfrentar as diferenças. Nenhuma delas é, sozinha, uma solução mágica. A diferenciação exige métodos complementares e, portanto, uma forma de inventividade didática e organizacional, baseada em um pensamento arquitetônico e sistêmico.

Se isso fosse tão simples, os especialistas apresentariam pedagogias diferenciadas “prontas para uso”, acompanhadas de formações que concedessem exatamente as competências desejadas. Na realidade, o canteiro está aberto, tateia-se, nenhum dispositivo está, atualmente, à altura dos problemas. No ponto em que estão a pesquisa e a inovação, as competências requeridas dos professores irão levá-los mais a contribuir para o esforço de desenvolvimento do que a aplicar modelos testados e aprovados.

 ABRIR, AMPLIAR A GESTÃO DE CLASSE PARA UM ESPAÇO MAIS VASTO. 

A gestão de uma classe tradicional é objeto da formação inicial e consolida-se no de experiência. O trabalho em espaços mais amplos exige novas competências. Algumas delas giram em torno da cooperação profissional; quando tratarmos do trabalho em equipe, falaremos disso. Outras se referem à gestão da progressão das aprendizagens em vários anos.

           

FORNECER APOIO INTEGRADO, TRABALHAR COM ALUNOS PORTADORES DE GRANDES DIFICULDADES. 

            Nesses casos é essencial que exista uma equipe capacitada para trabalhar com as crianças que encontram dificuldades maiores. Entre diversas habilidades esse corpo docente deve também:

  • Saber observar uma criança na situação, com ou sem instrumentos.
  • Saber construir situações didáticas sob medida (mais a partir do aluno do que do programa).
  • Saber negociar/explicitar um contrato didático personalizado (baseado no modelo do contrato terapêutico).
  • Estar acostumado à idéia de supervisão, estar consciente dos riscos que se corre e se faz correr em uma relação de atendimento.
  • Respeitar um código explícito de deontologia mais do que apelar para o amor pelas crianças e para o senso comum.
  • Ter domínio teórico e prático dos aspectos afetivos e relacionais da aprendizagem e possuir cultura psicanalítica básica.
  • Saber levar em conta mais os ritmos dos indivíduos do que os calendários da instituição.
  • Dispor de boas bases teóricas m psicologia social do desenvolvimento e da aprendizagem.
 DESENVOLVER A COOPERAÇÃO ENTRE OS ALUNOS E CERTAS FORMAS SIMPLES DE ENSINO MÚTUO 

            É necessário destacar que o professor não é responsável pelo processo de ensino-aprendizagem, o aluno também deve ter um papel interessante e para isso, também vale propor trabalhos em grupo e meios tecnológicos para que a aula não se torne cansativa e maçante para o aluno.

Isso só será interessante se essas tarefas provocarem as aprendizagens almejadas. Ora, não é fácil conciliar a lógica da ação bem-sucedida e aquela da aprendizagem ótima: uma ação coletiva funciona ainda melhor quando leva indivíduos autônomos e competentes a cooperarem e a aceitarem, por preocupação com a eficácia, uma liderança funcional. Em uma situação de classe, no âmbito de um grupo de três ou cinco alunos, cada um deles aprende e ainda não constitui um recurso muito eficaz para o grupo. Os alunos que mais precisam aprender também são aqueles que contribuem mais para desorganizar e para retardar a ação coletiva. No esporte, no trabalho, na vida uma equipe eficaz afasta os indivíduos menos competentes das tarefas mais cruciais, chegando a marginalizá-los socialmente. A aprendizagem cooperativa deve saber privilegiar a eficácia didática em detrimento da eficácia da ação sem isso, ninguém poderá “aprender fazendo a fazer o que não sabe fazer” (Meirieu, 1996b).

    
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